quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Transportes conflitivos em Natal.

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Transportes conflitivos em Natal.
Medicamentação: Solução de de elequicina
PDF 772


A prefeitura não deu o braço para a seringa, mas deixou as nádegas do povo disponível às suas práticas e ideias. Partiu do princípio de um velho ditado que diz “quem quer faz e quem não quer manda”. E deixou a solução do sistema de transportes públicos a cargo de empresas que se habilitem a fornecer equipamentos e serviços. Para então a prefeitura exercer o papel de agência reguladora. Regular aquilo que não soube implantar, sempre tapando o Sol com a peneira. Fechou os olhos e os ouvidos, para as reclamações do povo, a população que depende do transporte coletivo. Ainda está no tempo dos bondes, quando era possível saltar do bonde e alcançar um chapéu, levado pelo vento, para então alcançar o bonde novamente.

O prefeito não conhece a cidade, com as solas de seus sapatos de pelica, não quer sujar suas YLS. E agora diz que depois do sistema implantado, vai administrar a demanda. Controlar e manipular itinerários e linhas, de acordo com as necessidades e demandas. Vai precisar de muitas pesquisas e estatísticas, de números flutuantes.

Depois de entender e interpretar que a cidade é um organismo vivo, com interferências diversas, promovidas pelo comportamento e pelo meio, que podem promover diversas condições de saúde à cidade e à sociedade. A prefeitura surge com uma ação terapêutica no transporte público. Aplicar elequicina, na secretaria de transportes, e mobilidade urbana. E pode ser uma solução estéril, sem resultados mas com muitos efeitos colaterais. Já é evidente, é esperado que novos diagnósticos poderão ser apresentados, e novas medicações serão necessárias. A cidade vai ficar no soro, perdendo as vias de acesso, até que surja uma droga eficiente.

Com licitações e processos destinados ao transporte público, busca uma solução externa e desesperadora. E solta fogos como sendo a decisão libertadora e alvissareira. Abre concorrência para empresas realizarem a melhoria do transporte público. Otimizar o que não existe. Busca os melhores trabalhos, melhores serviços oferecidos  e os melhores preços, para resolver seus não resolvidos problemas. Busca o melhor, a acessibilidade, conforto oferecido e frequência de horários regulares, em ônibus confortáveis e adaptados às necessidade do povo.  Ônibus com pisos baixos para ruas esburacadas e pavimentação irregular. Ônibus com ar condicionado para terminais abertos ao Sol e ao vento. Quer o  conforto, mas não proporciona vias pavimentadas para um novo equipamento. Tipo quer um trem mas não oferece os trilhos; quer um BRT mas não oferece vias exclusivas. Apenas remédios não são suficientes, é necessário mudanças de hábitos. É o que diria qualquer médico: remédios; MDH, dieta e alguma fisioterapia.

Não aponta e nem sinaliza suas necessárias providências, suas mudanças de hábitos e comportamentos. A acessibilidade nas calçadas e nas ruas, para quem ainda não embarcou nos futuros ônibus. Travessia de pistas em condições seguras. Abrigos que simbolizam uma parada de ônibus, protegido do Sol e da chuva, abrigos e pontos de ônibus com distâncias regulares e piso nivelado nas calçadas, promovendo um conforto de deslocamento a pé, entre os pontos ou as paradas. Racionalização das quantidades de linhas, distribuindo em diversas paradas.


Roberto Cardoso
Cientista social. Escritor e cronista


RN. 10/11/2016.

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